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A paz do Senhor Jesus Cristo. Hoje é

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Legalismo

"Porque persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E, na minha nação, excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue..." (Galátas 1 vv. 10-16)

Legalismo significa pôr as regras de homens  acima de Deus e das necessidades humanas, é todo o sistema, normas, regulamentos e expectativas que condicionam a salvação do homem ao esforço humano de agradar a Deus, como se a salvação fosse uma recompesa, um prêmio  pelo nosso desempenho. O legalismo é a maneira humana de tentar através da obediência de regulamentos de homens, sermos aceitos e amados por Deus, anulando a graça de Deus, graça misericordiosa de Deus. A nossa slavação é pela graça (Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Efésios 2 v.8), somos obedientes a Deus porque somos salvos, e não para sermos salvos. A maioria compreende que Jesus Cristo nos salvou, salvou a humanidade de um modo geral na cruz, mas não individual, e desta forma, por este pensamento, a salvação individual se dá através da própria justiça, das boas obras, da caridade, ou da conduta moral ( Glória ao mim! Louvado seja Eu!). haja visto que Jesus Cristo com sua morte e ressureição só nos deu a possibilidade de salvação naquela cruz, mas nós somos quem decidimos se vamos ou não para o céu, de acordo com as nossas obras. O quer vai de encontro à Palavra que nos lemos acima (Efésios 2 v.8) é pela graça (favor imerecido, algo de que não merecemos), que não vem de nós, mas, porém, contudo, entretanto, todavia é dom de Deus. O que quer que eu faça, trabalhe, ande, viva, fale, coma, louve, adore, durma, deve ser só consequência dessa graça e não a causa dela (nem tem como ser diferente). 
Oba! Oba! posso então fazer tudo o que eu quiser e mesmo assim serei salvo, dirão os defensores da predestinação, não, absolutamente NÃO! Porque a certeza da salvação nunca nos chama para a libertinagem (Vida de libertino, devassidão, licenciosidade) e sim para a liberdade, e essa liberdade não permite que eu me contamine, pois sei que: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. I Coríntios 6 v.12" , ou seja, a partir do momento que tenho a mente de Cristo Jesus (I Coríntios 2 v.16), sei o que posso e o que não posso , porque conheci a verdadee a verdade me libertou (e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8 v. 32); Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.( joão 14 v.6)), porém quem quer usar a graça para a libertinagem é quem nunca conheceu a verdade e consequentemente nunca se libertou. O Legalismo é uma forma de escravidão, de prisão sem muros,  principalmente porque as igrejas criam pecados que não existem. Vejam só: logo a igreja que deveria prevenir e combater o pecado, acaba criando mais pecados ainda!  A corrente que defende o legalismo, essa corrente é bem maior do que você imagina, diz que embora nem tudo o que a igreja proíbe é pecado, se torna pelo chamado "voto de obediência", assim sendo você peca não pelo ato cometido em si, mas por ter desobedecido a igreja que instaurou aquilo como pecado! É a base da justificativa jurídico-bíblica para que a igreja possa ter o poder de criar pecados. Temos que tomar cuidado com os pecados reias, escritos na Bíblia (nossa única regra de fé) e também com os pecados instituídos pela igreja. O Nada de Heresias não poderia deixar de dar sua opinião sobre esta grande heresia que tem tirado ao longo de anos e anos muitos e muitos do caminho da salvação, por causa em grande parte da tal doutrina, não a santa doutrina, a doutrina bíblica, mas a doutrina de homens. Os obreiros estão cada vez mais preocupados com essa "doutrina" que entendem por usos e costumes. Certo,  a doutrina gera bons costumes, bons costumes são bons é verdade, mas os bons costumes não são doutrina. Mesmo porque toda a preocupação religiosa é moral, mas o que é moral? Segundo o dicionário, moral é: Relativo à moralidade, aos bons costumes; Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes; Favorável aos bons costumes; Que se refere ao procedimento; Parte da Filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe. Ufa! tem mais significados, mas estes bastam para vocês entenderem meu ponto de vista, resumindo: moral não é seriedade, mas moral é a ética da maioria. É o que uma maioria dominante institui como regra, ou seja, o que é moral em uma sociedade pode ser imoral em outra e vice-versa, se alguém foge desta linha moral está pecando contra a maioria que instituiu a regra, só que a moral não é eterna, a sociedade tende a mudar os padrões continuamente, por exemplo: à tempos atrás um jovem não poderia falar com auma moça de família sozinhos sem uma a presença de uma terceira pessoa, isso era imoral. Hoje em dia ele pode até sair com a namorada para onde quiser, pois hoje não é mais imoral, é normal. Outro exemplo, agora mais em nossa esfera, certo Pastor em  suas viagens, diz ter encontrado situações de exclusão que seriam hilárias se não fossem tão perniciosas à vida das vítimas. Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas cujos líderes zelosamente disciplinaram, com exagero, pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o "pecador" junto com a água suja. Vejo gente sofrendo disse ele, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta. Certa  vez, ouvi a história   de homens  que foram  expulsos da igreja porque não usavam chapéu, como ordenava o estatuto da igreja. Mais próximo ainda, conheço um excelente Presbítero, varão valoroso, trabalhador fiel na obra do Senhor, mas que certo domingo depois de chegar de bicicleta, com a esposa e seus dois filhos, participar como professor da EBD naquela manhã, a tarde evangelizar debaixo de um sol de rachar, para não perder o culto noturno, na igreja mesmo ele tomou banho e se aprontou e a noite depois de louvar os hinos da Harpa Cristã ( como de costume nas Assembléias de Deus) foi chamado por um Pastor, "crente velho", legalista  por convicção, e ouvir dele o seguinte: Vê se você coloca o paletó meu filho, senão você não pode nem pegar no microfone! Misericórdia Senhor! graças a Deus que Ele temente a Deus não se desviou, mas mudou de igreja claro! 
Como posso concordar em não bater palmas na igreja, isso é pecado? Se o mesmo contexto de apoio dos que instituiram este "pecado" me diz que devo beijar o rostos dos irmaõs em Cristo (ósculo santo). Se uso um texto de Deuteronômio (Cap. 22 v.5) para justificar que as irmãs não usem calças compridas, como não uso outro texto de Deuteronômio (Cap. 25 v.5) para casar com a mulher viúva de meu irmão?
Deus não nos julga moralmente, mas julga pela sua palavra. Assim sendo algo que pode ser imoral (aquilo que é convencionado pela maioria)  não ser pecado, que maravilhosa contradição. Vamos a mais um clásico exemplo bíblico, adoro a Bíblia, Paulo proibiu a mulheres de Corinto de falar na igreja, era portanto imoral, sendo que era algo imposto pela cultura e costumes do local. falar na igreja não era pecado, porém era errado já que a cultura assim determinava. Por que hoje em dia não seguimos esta determinação de Paulo? Não seguimos porque a sociedade em que vivemos tem outros valores morais. Ora isso não é relativismo da Palavra de Deus, como alguns devem estar analisando, e sim o saber discernir o que é parte do evangelho como doutrina, e o que diz respeito apenas a algum momento particular da história e ambiente onde aquele fato ocorreu, isso é hermenêutica. O que dizer da Santa Ceia do Senhor? Quantas vezes ouço dizerem: Se você está em pecado não pode tomar a Ceia e o inimigo que é um acusador consegue fazer com que  muitos crentes deixem de cumprir este maravilhoso memorial ao Senhor, afinal aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra. Pecar é não ir tomar a Ceia deixar de cumprir esta ordenança do Senhor. Olha não estou legislando em causa própria não hein, nunca pequei moralmente segundo os "bons costumes", mas sigo sempre contestando as heresias e as doutrinas de homens que abalam as igrejas, principalmente o legalismo que conheço muito bem. Já deixei por muitos anos de falar sobre este assunto, mas Deus tem cobrado de mim. Afinal como disse Paulo: "As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.” (Colossenses 2 v.23) isso que o legalismo faz de mal a igreja do Senhor nos dias atuais deve ser combatido.
Pb. Marcelo Miranda Cavalcanti
01/11/2010