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A paz do Senhor Jesus Cristo. Hoje é

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O mundo na igreja!

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens." Mateus 5 v.13


Desde muito novo (no evangelho) aprendi que o mundo é  mundo e igreja é igreja e ponto final. Sou anti-legalista de carteirinha, mas em uma coisa concordo: "Não podemos trazer o mundo (costumes, festas) para dentro das igrejas." É como misturar o sagrado com o profano. Quando eu estava no mundo eu era, biblicamente falando, um filho da desobediência. Afinal de contas meus pais (Adão e Eva) desobedeceram a Deus e por consequência toda a humanidade desobedeceu a Deus. Hoje às vezes posso até ser um pouco desobediente, vez ou outra rebelde, mas me arrependo e alcanço a misericórdia de Deus, antes eu era do mundo e andava segundo o Deus deste século, o príncipe das potestades do ar (Efésios 2 v.2), era um filho da desobediência. Esta condição, filho da desobediência, tinha como consequência a ira de Deus (Colossenses 3 v.6) pelas coisas que eu fazia, não adiantava tentar amenizar meus atos, me declarando inocente (Efésios 5 v.6 e Êxodo 34 v.7). Entretanto graças a Deus eu venci o mundo e fui nascido de Deus (1 João 5 v.4 e 1 João 4 v.4), fui escolhido neste mundo (João 15 v.19). Não posso me conformar com este mundo e nem tampouco compactuar com ele, devo sim ser transformado (Romanos 12 v.2), não posso mais me envolver com o mundo pois ele pode, e acreditem vai me corromper se eu deixar (2 Pedro 1 v.4), o passado ficou para trás e não pode voltar mais, somos novas criaturas, não posso ter amizade com o mundo (me refiro ao mundo não às pessoas que vivem nele) se ajo assim sou inimigo de Deus (Tiago 4 v.4). 
Tudo que escrevi até agora são justificativas bíblicas para que nem eu nem a igreja se envolvam com o mundo, este texto tem como propósito esclarecer a respeito do que tem  acontecido muito em nossas igrejas: Trazer o mundo para dentro da igreja. A desculpa é sempre a mesma: buscar alternativas para resgatar as almas perdidas custe o que custar. Nós estamos vivendo uma época em que o mundo passou a avaliar tudo apenas pelo resultado. É filosofia do pragmatismo. O que é pragmatismo? O pragmatismo é muito semelhante ao utilitarismo. É a crença de que os resultados, e/ou utilidade, estabelece o padrão para aquilo que é bom. Para um pragmatista/utilitarista se uma técnica, ou mesmo um método produz o resultado desejado, a utilização de tal recurso é válida. Porém eu creio que devesse existir um limite, por exemplo recentemente li um texto e vi um vídeo, estarrecido, com o título de "o passinho do abençoado", inclusive me recuso a direcionar os leitores a este material. No vídeo assisti a um cantor (recém convertido) fazendo uma paródia com uma música que ele cantava  quando participava de uma grupo de funk, a letra teve alterações é claro, mas a "batida" é a mesma e pasmem os irmãos de paletó e gravata inclusive dançavam funk dentro da igreja inclusive com verdadeiras performances dignas dos maiores dançarinos dos bailes funk deste Brasil. Um dos sinais mais visíveis do pragmatismo na igreja são as mudanças convulsivas que, nas últimas décadas, tem "revolucionado" o culto nas igrejas. Onde a filosofia passou a ser de planejar e realizar cultos dominicais que sejam mais divertidos do que reverentes. Muito mais show do que adoração. Qual o resultado disso? Um culto mais centrado na pessoa humana (antropocêntrico), do que centrado na pessoa de Deus (teocêntrico). O mais grave é que a teologia é forçada a ceder o lugar de honra à metodologia. Sou contra pois: se me converti, me converti, não posso mais praticar, sobre nenhum pretexto, aquilo que eu fazia antes no mundo. Não posso inserir a palavra, que é santa, no que é profano, quando faço isso ela se torna infrutífera (Marcos 4 v.19), não posso usar o argumento de que "muita gente gosta", "todo mundo sabe que vai funcionar", "atrairá muita gente", o que dá certo no mundo é do mundo e envolve o mundo (1 Coríntios 3 v.19). Sem falar é claro de que nem todos os que estão hoje na igreja, seu rebanho Pastor, vão apoiar estas atitudes e certamente aqueles que fracos estão, cairão e dificilmente se levantarão novamente. Isto é cegueira espiritual pura e simplesmente cegueira (2 Coríntios 4 v.4).  Tenho que deixar bem claro aqui que não sou contra à inovação em si . Tenho plena consciência de que, por exemplo,  os estilos de adoração estão em constantes mudanças. Sinto que se Charles Spurgeon chegasse à nossa igreja hoje, ele não gostaria de nosso teclado, de nosso contra-baixo, de nossa orquestra. Não sou preso e nem poderia me prender a esse ou aquele estilo de música ou liturgia. Na verdade sou até mesmo contra a estagnação das igrejas. Também como disse no início sou contra os legalistas que fabricam normas arbitrárias a fim de dizer o que é aceitável ou não nos cultos. Todavia, meu propósito aqui  é contra a filosofia que dá a  Deus e a sua Palavra um segundo lugar na igreja. Discordo daqueles que acreditam que técnicas e métodos humanos podem resgatar almas para os céus com mais eficiência do que o Deus Todo Poderoso e sua poderosa palavra. Uma frase de  MacArthur merece ser lembrada aqui: "Se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja". Que o amor de Deus que excede todo o nosso entendimento seja derramado sobre a sua vida e de sua família em nome de Jesus Cristo. Amém!