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A paz do Senhor Jesus Cristo. Hoje é

sábado, 23 de outubro de 2010

Nossa felicidade e a vontade de Deus


“Se o ouvirem e o servirem, acabarão seus dias em bem e os seus anos, em delícias. Porém, se o não ouvirem, à espada serão passados e expirarão sem conhecimento.” (Jó 36 vv.11-12)

A felicidade tem sido o alvo principal do homem, já há muito tempo. Muitos até podem afirmar que a sua felicidade é o objetivo de suas vidas. Mesmo aqueles que não saem por aí falando disto acabam vivendo alicerçados  neste princípio. Podemos aceitar, como pessoas, que alguém troque de emprego ou serviço  se está infeliz. Se alguém troca de curso na universidade afirmando que não estava se sentindo feliz, a razão é aceita pela maioria das pessoas como certa. Se alguém não está feliz com seu casamento, para muitos seria normal trocar de cônjuge, afinal ser feliz é o objetivo principal do casamento. A felicidade então é tida como um direito de todo ser humano. E a desculpa de muitos: Acho que Deus quer que eu seja feliz!
Ao pensamos em Deus, sabemos que Ele é bom (Salmos 73 v.1), que é galardoador daqueles que o buscam (Hebreus 11 v.6), que tudo que é bom e que traz felicidade vem de Deus, então também pensamos que Deus nos dará a felicidade, pois ela é muito boa. Mas, quando vemos as pessoas infelizes dizemos a elas que isso é falta de Deus, e que se tivessem um relacionamento com Ele não seriam assim tão infelizes. Chegamos mesmo a prometer para as pessoas: Venham para Jesus, que vocês serão felizes!
 Surge então a grande pergunta: É promessa de Deus a nossa felicidade?
Vejamos: Deus é tão bom que a pergunta parece ter uma resposta óbvia. “É claro que Deus prometeu isso”, alguns dirão. “Ora, essa é a melhor coisa que alguém pode ter na vida. Maior que bens materiais, maior que dinheiro, que o sucesso, que a saúde, se Deus é bom fará tudo isso por nós”. Lembro-me de um louvor do cantor  Mattos Nascimento que tem como refrão: Quem dá felicidade é Jesus de Nazaré!
Todavia não há essa promessa na Bíblia. Deus não prometeu fazer-nos felizes. Deus prometeu a santificação. Toda a obra de Deus tem como propósito libertar-nos do poder do pecado, tornar-nos parecidos com seu Filho Jesus Cristo (I Coríntios 4 v.16), para que com isso possamos habitar no céu eternamente (Tito 1 v.2). O objetivo do homem é a felicidade, o de Deus é a santificação (Romanos 6 v. 22) (Hebreus 12 v.14).
O que Deus quer é que entendamos esta verdade, Ele deseja fazer-nos santos. Isto não quer dizer que servir a Deus é sinônimo de infelicidade, na  verdade o  crente não é infeliz (Efésios 5 v.17). A verdade é que a felicidade no plano de Deus é fruto de uma vida de santificação. Deus não quer que vivamos ansiosos pela felicidade (Filipenses 4 v.6) , que façamos tudo em busca dela. Isso é obra do homem sem Deus (Provérbios 10 v.16). Deus quer que estejamos felizes em toda e qualquer situação, quer que aprendamos a depender Dele, que precisamos Dele, que desejemos a santificação como Ele é santo, isso que o crente deve desejar.
O Rei Davi escreveu: “Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do seu coração” (Salmos  37 v.4). Em outras palavras Davi dizia: Que  Deus seja  suficiente para você, esteja contente com Ele, deixe que Ele  decida  o que é melhor para você, procure fazer sempre a vontade DEle em primeiro lugar, e como resultado Ele satisfará o que o seu coração deseja .
Mas ao contrário queremos agradar a nós mesmos para sermos  felizes, pensamos primeiro em nossa vontade e sequer tentamos levar em consideração a vontade de Deus (Filipenses 2 v.13). Davi diz que devemos deixar Deus nos agradar, afinal Ele sabe o que é melhor para nós, sempre. Quando desejamos muito algo, ficamos tentando nos convencer que aquilo é a vontade de Deus para nós. “Se só assim seremos felizes então isso tem que ser a vontade de Deus ”, dizemos para nós mesmos. A verdade é que isso não acontece. Confundimos nosso desejo por felicidade com a vontade de Deus.  Um dos passos no processo, contínuo, de santificação o é de abrir mão dos desejos pessoais e buscar aquilo que Deus deseja, ou seja, abrir mão da nossa vontade quando ela não coincide com a vontade de Deus. Não podemos e nem tentemos  misturar nosso desejo por felicidade com o desejo de Deus por santificação que leva à santidade (Lucas 9 v.23).
A vontade de Deus deve ser soberana em nossas vidas, devemos ter  paciência e entendermos isso (Hebreus 10 v.36). Vamos a um exemplo bíblico: Sansão.Ele foi um exemplo de alguém que pensou em ser feliz. Quando foi àquela cidade ocupada pelos filisteus viu Dalila e pó ela  se apaixonou. Sansão então pediu a seu pai que a tomasse por esposa para ele. Seus pais, porém disseram a ele que não tomasse por esposa uma mulher filha de incircuncisos. Em outras palavras seus pais estavam lhe dizendo que ele deveria se casar com uma mulher da mesma fé, senão seria jugo desigual  (II Coríntios 6 v.14), não era da vontade de Deus. Sansão respondeu a seus pais: “Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos” (Juízes 14 vv.1,2 e 3). Sansão estava afirmando que só seria feliz casando-se com aquela mulher, era sua vontade, sua felicidade, em oposição à vontade de Deus. Nos dias atuais Sansão seria apoiado por muitos e muitos, inclusive crentes. Diriam que ele estava certo, pois se estava apaixonado e se só assim alcançaria a felicidade, que então buscasse seu objetivo, mesmo contra a vontade de seus pais e de Deus. Para onde quer que olhamos vemos esta “regra”: Se é para ser feliz então vale à pena. Conhecemos o final da história do casamento de Sansão com Dalila. Sansão mostra o prejuízo que temos quando pensamos na felicidade em primeiro lugar e esquecemos ou ignoramos a vontade de Deus que deve estar sempre em primeiro lugar (Mateus 6 v.33). Quando o crente compreende e então tira a felicidade do primeiro lugar de sua vida Deus começa a fazê-lo feliz. Sempre queremos agradar a nós mesmos, para não ficarmos com a consciência pesada, tentamos nos convencer de que Deus também deseja aquilo para nós, que a nossa busca pela felicidade não nos trará grandes conseqüências ou problemas com Deus: “Isso não é desobediência, é ponderação”. (I Pedro 1 vv. 13,14).
Assim sendo, concluímos que  a felicidade para o crente não é seu alvo, deve sim ser  o resultado do seu desejo de agradar a Deus. Enquanto no mundo se corre desesperadamente atrás, cada vez mais, da felicidade, o crente sábio busca a santidade, pois ele sabe que Deus prometeu fazê-lo santo, e a felicidade então, será só uma conseqüência.

Pb. Marcelo Miranda Cavalcanti
22/10/2010